sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Para o sangue, sou o veneno
Eu mato, eu como, eu dreno
Para o resto da vida, sou extremo
Sou o gosto do azedo
A explosão de um torpedo
Contaminação do medo
Eu guardo o seu segredo
Sou o HIV que você não vê
Você não me vê
Mas eu vejo você

Sou a ponta da agulha
Tanto bato até que você fura
É a minha a sua captura
Sou dupla persona
Seu estado de coma
Sou o caos, sou a zona
Seu nocaute na lona
Eu sou o livre-arbítrio
Sem causa com efeito
Sua força é meu grande defeito

Beto Lee

domingo, 24 de agosto de 2008

Olvidaram As Flores do Mal

Minha cabeça e minhas sentenças sempre foram belos enfeites para velhas bandejas. Sim. Sem. Algumas pessoas têm dito que não saio de casa, outras, porém que não paro em casa. Anteontem fui até a cidade onde vivi durante quatorze anos. Caminhei uns dois quarteirões perto de minha antiga casa. Percebi que as pessoas já não me reconheciam. Já não me cumprimentavam mais. Não puxavam uma cadeira para a varanda nem me chamavam para conversar. Não me paravam. Não acenavam. Não sorriam. Nem se quer olhavam direito. E quando olhavam, pairava um ar de desconfiança, um ar de recordação mal guardada, uma lembrança fosca, onde os olhos entreabertos, pensativos, com esperanças de um recordar. Mas o fim era sempre o mesmo, não recordavam. Acontece que eu recordava. Eu sempre recordo. Das ultimas palavras. Da ultima cor. Do ultimo lugar. E aquele lugar era o mesmo. As pessoas eram as mesmas. Apesar das rugas a mais. Não penso que tenha passado muito tempo. Não penso que tenha deixado uma vida inteira para trás. Não penso que tenha esquecido de todos aqueles. Não penso que minha face tenha mudado tanto. Não penso. Não. Nesse mesmo dia, fui até a casa de Dona Aimeè. Seria impossível que ela não se lembrasse de mim. Foi ela quem me apresentou a Baudelaire, aos dez anos. Mesmo não entendendo os seus enigmas e as suas palavras. Eu amava tudo o que ela me dizia. “-Dona Aimeè! Sou eu! A Ana! Sua pequenina!”. Ela não falou uma palavra. Ficou muda. Fechou a porta na minha cara e foi olhar pela cortina se eu ainda estava alí. Senti-me como uma estranha no meu próprio bairro. Não sei se foi o tempo que os fez esquecer-me, ou se fui eu que esqueci de avisa-los que ainda amo aquele lugar tanto quanto os amo. O tempo não volta. Fazer tudo de novo não adiantaria. As flores de Baudelaire morreram. Agora é tarde.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008



Do teu
VERSO

confesso que
CARREGO
um pedacinho
MUDO
quase sem
FUNDO
que meu
coração

VAGABUNDO
guardou pra ti
EM mim.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Constituição de Chocolate!

Nunca fui de gato e rato. Muito menos de cumprir mandamentos. Aos 10 saía à noite, aos 12 caia bêbeda, aos 13 fumava canela. Em 95 brincava de bonecas. Em 42 os nazistas invadiam Stalingrado. Em 45 a flor de Hiroshima desabrochava. Em 68 o AI-5 cuspia e censurava na cara de quem quisesse. Em 69 meus avós sofriam torturas da ditadura por defenderem seus ideais. Hoje, qualquer um cospe em religiões, mas quando o cu aperta eles rezam. E de modo contrário, hoje, religiosos escondem atrás dos evangelhos o seu lado ignorante, fechado e preconceituoso, para assim, se sentirem livres ao dizerem asneiras com um pretexto qualquer ao louvar por um âmago inexistente. Ontem e hoje, sempre houve alguém que gostasse de criticar o homossexualismo, entretanto - nunca amou na vida, muito menos tentou entender as opiniões alheias. Amanhã sempre terá alguém a julgar e criticar a política enquanto não move um dedo para revolucionar. Agora, sempre tem alguém querendo falar mais, dizer o que é certo ou errado, mesmo ao saber que vive em cima de muros, onde os fortes fazem as leis. Hoje, dizem ter inventado a mulher moderna, mas na cama e em casa muitas delas se submetem aos pés de muitos outros. Hoje, todo mundo se diz esquerdista, comunista e anti-capitalista, mas freqüenta todos os dias o Bob’s ou o Buger King e andam com seus sapatos importados ao sofrer influências diárias. Em 1215 a Magna Carta já falava sobre um querer qualquer de liberdade, e até hoje nada. (...) Eu não gosto de utilizar pretextos só pra dizer que eu quero chegar num ponto chamado Diretos Humanos. Nem reivindicar isto. (...) Muitos vão para a escola e são obrigados a ouvirem asneiras como Os direitistas são idiotas ou os esquerdistas são uns hipócritas; -Todo mundo é preconceituoso! Não adianta querer fugir! NÓS SOMOS PRECONCEITUOSOS!; -É! SOMOS RACISTAS! POR MAIS QUE VOCÊS NÃO QUEIRAM!... E é! Ouvi isso de um professor, e é um choque ouvir alguém falar assim... Como se a maioria fosse acreditar nisso e no que ele acha certo. Ouvimos a pura manipulação de uma geração que tenta nos oprimir, e entre outras coisas que escuto diariamente - sinto vontade de gritar ao ver tal, mas não me rebelo - apenas penso que cabeça dura um vez vai ser sempre cabeça dura. Porque em verdade, as pessoas não fazem nada. MUITOS até concordam, Ah! Ingênuos (e)muralhados! E o que causa isso é essa cabeça da geração acima, que nos chama indiretamente de - idiota, ingênuos, pseudos, não-revolucionários, de geração coca-cola -, uma cabeça que somente irá mudar quando nos rebelarmos. Porque eles nos provocam, nos chamam de incapacitados, enquanto na verdade eles só têm é MEDO de que nós pudéssemos ser melhores e mais revolucionários que eles. Eles têm é medo de que nós algum dia alcancemos os ideais que eles não conseguiram. Chamam-nos de geração não-pensante, de ridículos, de voto-nulo, de inexistentes, de problemáticos sem concepções religiosas. E ainda muitos da nossa geração ainda concordam com a “geração acima” ao invés de se rebelar contra a idéia deles, contra o medo deles. Porque eles (geração acima, geração mais velhas, nossos avós, pais) têm medo, e então nos oprimem para não conseguirmos o que eles queriam. E eles sabem que enquanto não houver sangue moral, ninguém vai entender o que é fazer da palavra - verdade. E assim nos fazem acreditar que não há mais nada a fazer. E enquanto nada acontecer eles vão continuar a nos provocar e nos oprimir ao tomar os seus chocolates quentes esperando por ver o nosso fracasso.

Orafodas, tire uma interpretação errada de qualquer palavra aí, e eu estarei no lixo.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Donuts

(Pic/Three: David Byrne)

E eu que não queria aiar... Fazia com que,
meu interior murmurasse "Por que só tu?!"
e minha máscara obtemperasse "Por que só eu?!"


terça-feira, 15 de julho de 2008

Verde-borda

Faço parte dessa lama. Desse ocaso. Desse centro que não é nenhum. Sempre fui à procura das bordas dos furacões. Para depois tentar fugir dali pr´outro furacão. E tentara quantas vezes? E falhara quantas mais? Nada responde esse tempo. Nada responde essa mediocridade, essa hipocrisia. Porque depois de muito tempo, aquelas bordas nubivagas, que nunca encontrei, me ensinaram como eu me auto-flagelava. Coisa que eu sempre fazia, mas não sabia. Ninguém sabe, e todos fazem. Todos querem é fugir da borda, procurar algum sentido de vida, uma ilusão farsante, uma hipocrisia atrás de outra. Eu fui de encontro às bordas, e entretanto não as achei, e em parte dessa busca foi o que me mostrou as coisas que sou. Que sempre fui, e nunca abrira os olhos. Em verdade, sempre quisera furar os olhos para tudo que via. Sempre quisera dizer-se o bom e o justo! Essa coisa medíocre. Essa farsa toda. A borda me mostrara o que sempre achava que não era, mas é o quê todos são. Agora furo, fundo, com duas ou três estacas! Esses olhos cegos, que nunca quiseram ver. Que preferiam ver, em verdade, toda a mentira. Agora corto, loucamente, essas pernas que nunca quiseram correr. Porque agora jaz. E já não quero pular. Nem uma, nem duas vezes. O caminho das bordas já é o suficiente. Tanto quanto para furar os olhos, e então achar a borda, e por si construir outros olhos, e outras pernas, as quais já não procuram mais o ocaso. Porque todos procuram o centro do furacão, a lama verde do ocaso, e não falo para um novo renascer. Falo pela hipocrisia dos homens de acharem-se bons e justos ao odiar toda aquela hipocrisia que dizem não ter, e que dizem não ver em si. Mas os outros! Ah! Que furem os olhos desses farsantes! E que furem os meus também! Porque amo todos esses que nunca criaram nada sobre a verdade, mas sempre supuram tudo em cima de qualquer outra cousa incerta, hipócrita. E porque falo no ocaso de acreditar no que acreditam outros homens. Que ainda se dizem bons e justos. Falo também da ponte que existe por cima do ocaso. A solução de tudo. Porque algum dia alguém entendera que não basta fugir e se iludir. E então terá de mostrar toda a verdade aos outros homens. Sem se julgar bom e justo. E ensinará a todos aqueles, a superarem o âmago da lama. O âmago do ocaso. Ensinará superar tudo e todos, para que tais não se tornem o que combatem. E para então entender, esse alguém terá de matar todos aqueles que não acreditam em si, que não acreditam que são seu Próprio Deus - e de mais ninguém, matará também aqueles que vivem à procura do ocaso - como se tal fosse uma essência. Em verdade, só queria que tivessem me ensinado à não fazer parte dessa lama, desse caos, desse eterno retorno. Que, antes de tudo, tivessem me mostrado as bordas. Para que agora eu já não precisasse correr sem minhas pernas e olhos.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

ΘΕΟΓΟΝΙΑ

Parei de postar aqui por um tempo, é. Mas não é por preguiça, não. Falta de tempo, sim. De qualquer forma tô mesmo é tentando escrever qualquer coisa por alí:

http://teogoniacomcafe.blogspot.com/

inté.

domingo, 27 de abril de 2008

B.


Excuse me

But I just have to
Explode
Explode this body
Off me

I'll be brand new
Brand new tomorrow
A little bit tired
But brand new

Björk

segunda-feira, 31 de março de 2008

Search

Sob o orvalho e a neblina observava seus olhos ardentes, percebia a intensidade que sentia, ele desejava o recomeço, mas não sabia por onde cair primeiro, não sabia nem se deveria cair, falava sobre o tempo e não conhecia seus ponteiros em números certos, escrevia nas entrelinhas palavras bonitas e não se via, mas estava sempre ali, em primeira, segunda, terceira pessoa, numa freqüência quase sem querer. Tinha vontade de ver seu velho eu, cara à cara em seu espelho, mas nunca o via, e foi ao quebrar o espelho que ele decidira viver novamente, mesmo sem saber por onde começar, não sabia nem se deveria ter um começo, queria apenas uma qualquer situação a qualquer momento que o surpreendesse, sem ambições, sob a adrenalina, pensava em mil coisas, experimentava outras mil e em outras tantas, só queria cada vez mais o agora, em uma voz repetitiva.